
Casarão que abrigou os pilotos franceses no início do século 20 continua no Campeche, em Florianópolis.
A rota intercontinental da Compagnie Génerale Aéropostale, empresa de correio aéreo francesa na qual trabalhou o piloto Antoine de Saint-Exupéry, pode se tornar patrimônio imaterial da humanidade.
A proposta foi discutida em Toulouse, na França, em um encontro que reuniu representantes de 28 cidades de três continentes que tiveram escalas da Companhia no início do século 20. No evento, foi criada a Rede de Cidades da Aeropostal, com a formalização de um acordo internacional de parceria para reforçar as trocas culturais, econômicas e comerciais entre as cidades-escala, incluindo Florianópolis.
Tomamento Universal
O objetivo da Rede de Cidades é elaborar uma proposta coletiva para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), com vistas à classificação da Linha da Aeropostal como patrimônio imaterial da humanidade. Para isso, o acordo prevê que as cidades-escala atuem em sinergia com os herdeiros dos pilotos da Aéropostale e associações que trabalham pela memória desta epopeia aérea.
Entre as ações em estudo estão a criação de espaços de memória nas cidades-escala; realização de exposições itinerantes, debates, conferências e eventos culturais sobre o tema; além de organização de encontros anuais para fortalecimento do intercâmbio entre as cidades da rota.
Antoine de Saint-Exupéry
A Compagnie Génerale Aéropostale foi pioneira no serviço de correio aéreo entre a Europa, África e América do Sul, contando com o trabalho de pilotos veteranos da Primeira Guerra Mundial que romperam as fronteiras entre os continentes. A importância da empresa para o desenvolvimento da aviação internacional, aliada à grandiosidade dos feitos dos pilotos, que arriscavam suas vidas nos primórdios da aviação, ganhou mais visibilidade pela obra de um deles, que também foi escritor: Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro “O Pequeno Príncipe”, entre outros sucessos editoriais.
Das 11 escalas da Aéropostale no Brasil, a de Florianópolis, na região do Campeche, está entre as mais bem conservadas do mundo. A comunidade foi palco de várias aventuras dos aviadores da Companhia entre as décadas de 1920 e 1930, guardando traços da inusitada convivência dos pilotos franceses com pescadores ilhéus.
Saint-Exupéry menciona Florianópolis no livro “Voo Noturno” (1931). Ele, que foi o mais célebre dos pilotos, ficou conhecido pelos pescadores como “Zeperri” – devido à dificuldade que os moradores, descendentes de açorianos, tinham de pronunciar o sobrenome do francês.
Casarão dos pilotos em Florianópolis
Pela proposta, o antigo casarão dos pilotos – cujo imóvel é de propriedade da Prefeitura de Florianópolis – será restaurado e transformado em um espaço cultural, abrigando o “Memorial Pilotos e Pescadores Antoine de Saint-Exupéry”. No local haverá uma área destinada à memória da antiga companhia de aviação francesa e sua relação com o Brasil, com exposições permanentes e temporárias, além de salas para cursos, palestras, exibição de filmes, e outras atividades de uso comunitário. O restauro visa registrar a memória do Casarão dos Pilotos, e valorizar sua relação com a história do bairro e a cultura da cidade.
Fonte: Prefeitura de Florianópolis.




